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Corcundas

Ter dúvidas é quase considerado pecado. "Ah, eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas", já dizia o nosso "exímio" ex-PR quando ainda era PM. 
Portugal está cheio de gente sobrecarregada de certezas. Têm tantas que as vemos curvadas pelo peso da convicção. Se por algum estranho acaso não estão plenamente convictas, inventam rapidamente uma qualquer certeza para ganharem credibilidade.
Estamos a criar um país de corcundas que se vergam à ilusão de parecerem fidedignos. Preferem acreditar em mentiras do que dar tempo ao processo de descoberta. A hesitação é o mal de que morrem de medo de vir a padecer.

E, no entanto, carecem do poder da interrogação. E, no entanto, padecem da ausência de clarividência.

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Estamos a matar a infância das nossas crianças!

Se há cerca de vinte, trinta anos, não se sabia tanto quanto se sabe hoje sobre pedagogia, psicologia ou educação, actualmente este conhecimento é muito mais vasto. Tão vasto que tendemos a instrumentalizar a forma como educamos as nossas crianças.

Olhamos para os nosso filhos e vemo-los como projectos pessoais. Queremos que sejam os melhores e sempre melhores que eles próprios, que estejam sempre a evoluir para que sejam bem sucedidos na vida. É normal, porque independentemente das nossas crenças, queremos o melhor para eles, porque os amamos. Mas esta forma de amar e de os tentar conduzir para o sucesso está a matar-lhes a infância. 
Não são poucas as vezes que ouvimos coisas do género:  "Quero que o Rui seja um óptimo engenheiro";  "Estou a fazer tudo para que a Ana seja a melhor professora que já leccionou";  "O que mais quero é que o André vença no mundo do trabalho como o melhor designer gráfico".
Também dizemos que A ou B tem que frequentar determi…