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A mostrar mensagens de Julho, 2017

Adolescência

O meu filho tem treze anos. É um companheirolas. Sempre foi connosco para todo o lado, desde concertos a bares, restaurantes de comidas estranhas a exposições, museus, ou aonde quer que fôssemos.

Ontem, eu e ele fomos a um concerto de uma banda que toca música da minha geração e anterior, dos anos 70, 80, 90. O meu filho gostou imenso, conhecia praticamente todas as músicas que reconhecia aos primeiros acordes. Cantou e dançou um pouco e curtiu bastante o som.
No final da noite, depois de termos passado por um bar e de termos dividido uma Seven Up, quando voltámos para casa, pergunta-me: - A adolescência é termos mais vontade de sairmos com os nossos amigos do que com os pais? - Sim, é também um pouco isso - respondo-lhe. - Ok, mãe, sou oficialmente um adolescente!

Corcundas

Ter dúvidas é quase considerado pecado. "Ah, eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas", já dizia o nosso "exímio" ex-PR quando ainda era PM.  Portugal está cheio de gente sobrecarregada de certezas. Têm tantas que as vemos curvadas pelo peso da convicção. Se por algum estranho acaso não estão plenamente convictas, inventam rapidamente uma qualquer certeza para ganharem credibilidade.
Estamos a criar um país de corcundas que se vergam à ilusão de parecerem fidedignos. Preferem acreditar em mentiras do que dar tempo ao processo de descoberta. A hesitação é o mal de que morrem de medo de vir a padecer.

E, no entanto, carecem do poder da interrogação. E, no entanto, padecem da ausência de clarividência.

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…

Da estupidez...

Primeiro entra aqui a minha estupidez: Pus-me a ler os comentários feitos às notícias que se espalham pelo Facebook. Burra, estúpida, nunca mais aprendes!

Depois entra a estupidez da própria notícia: Esta preciosidade que tem gralhas que não se admitem num jornal como o Público e que se baseia em ouvir dizer de ouvir dizer "a humorista e locutora de rádio argumentou em declarações ao jornal sueco Aftonbladet, citado pela BBC", o que mostra como os jornais têm de trabalhar rápido hoje em dia, porque as fontes de informação são, imagine-se, outros jornais, e também é baseada em tricas de Twitter. (Atenção que não culpo o Público por esta estupidez, de maneira nenhuma, culpo-nos a nós, leitores, que já não exigimos uma comunicação social como deve ser, porque preferimos a rapidez e a gratuitidade à qualidade! Sim, a culpa, e esta estupidez, é mesmo nossa!)

Em terceiro lugar vem a estupidez do que é noticiado: Um festival de Verão só para mulheres, livre de homens, para que estas…