Avançar para o conteúdo principal

O Que Desejamos Para os Nossos Filhos?

Assim de repente, sem pensar duas vezes, diria "que sejam felizes!". 
Depois olho em volta e não vejo isso nas acções da maior parte dos pais. Não nas de todos, claro, mas nas da maior parte. Olho-os, oiço-os e vem-me à cabeça a palavra "sucesso" em vez de "felicidade". Sucesso nos estudos, no desporto, nas finanças, nas atitudes, nos comportamentos, na vida. Vejo-os gastar tempo e dinheiro, muito dinheiro por vezes, em mil e uma actividades. E tempo a dividir-se em muitos para conseguirem levar os filhos a essas mesmas actividades. Exigem que eles sejam bons em tudo o que fazem. E volto ao sucesso. Paro no sucesso. E fico a meditar a definição de sucesso. 
O que é isso, sucesso? O que é isso de se ser bom em tudo, de se saber fazer tudo? Ter infindáveis valências far-nos-á mais felizes? Ser bom far-nos-á mais felizes? 
E desta vez, olho e oiço os filhos, e não me parecem felizes. Resignados, talvez. Mas felizes não.
Vejo crianças como pequenos adultos, cheias de stress para conseguirem dividir a atenção pelas mil e uma actividades que frequentam. Vejo crianças com dificuldades em interessarem-se pela música, o desporto, a catequese, os escuteiros, o karaté, a escola. Vejo crianças que no fundo, no fundo, só querem uma horinha livre para enfiarem a cabeça numa playstation e esquecerem tudo o resto. Vejo poucas crianças brincar. A capacidade de imaginar, de fingir, de inventar está a fugir-lhes. A capacidade de serem crianças está a fugir-lhes. Tento imaginá-las adultas e não consigo ver diferenças daquilo que são hoje, em crianças. 
E uma vez mais, volto ao "sucesso". Será o sucesso sinónimo de felicidade? Tento rever mentalmente pessoas "bem-sucedidas" na vida, por exemplo, profissional, e noto-lhes infâncias bem diferentes daquelas que impingimos aos nossos filhos. Geralmente, foram crianças com uma aptidão que se foi acentuando ao longo dos anos. Foram pessoas que, através de uma grande força de vontade e resiliência, levaram uma paixão ao estatuto de profissão. Não digo com isto que às quais foi dado um mundo de instrução desde tenra idade não chegaram a uma situação de sucesso, também as há, claro que há, mas fico na dúvida se ao darmos uma imensidão de obrigações às nossas crianças, estamos a contribuir para um sucesso que as permita ser felizes. E se é esse sucesso, neste caso o profissional, que as vai tornar pessoas felizes. Fico na dúvida se não estaremos a traçar-lhes caminhos em vez lhos mostrarmos e deixarmos que sejam eles a escolher o deles; se não lhes estaremos a impor um futuro, em vez de os deixarmos amadurecer até terem capacidade para fazer as escolhas que entenderem. Fico na dúvida se o que realmente queremos para os nossos filhos é felicidade e não sucesso e se esse sucesso contribuirá, alguma vez, para que sejam felizes. 
Fico na dúvida...

Comentários

  1. Concordo tanto com tudo o que escreveste.

    Por mais expectativas que tenha sobre o futuro do meu filho, penso muitas vezes que ele será aquilo que ele quiser ser e aquilo para o qual eu possa contribuir.

    Porque no fundo só me interessa que ele seja feliz, seja ele advogado, médico, músico, bombeiro ou outra profissão qualquer...

    Há pais que querem que os filhos sejam atletas de competição, ases da matemática ou génios da música, mesmo que isso não faça os seus filhos felizes...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Vá lá, digam qualquer coisinha...
...por mais tramada que seja...

Mensagens populares deste blogue