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Mil e Uma Perguntas

Numa curta viagem de carro até Lisboa...

- Mãe, onde fica a aldeia global?
- Não fica em lado nenhum. Não é uma aldeia real. (Tudo o que lhe vou dizendo vai-me parecendo estranho). "Aldeia global" quer dizer que o mundo é pequeno e que é possível comunicarmos uns com os outros e estarmos mais próximos, apesar de fisicamente estarmos longe uns dos outros. É conhecermos uma grande variedade de coisas, como culturas de outros países, modos de vida e comidas diferentes, sem sairmos do nosso país ou da nossa casa.  Percebeste?
- Mais ou menos...

Uns minutos, poucos, depois...
- Mãe, quem inventou os carros?
- Humm, não sei! Os carros foram evoluindo ao longo dos anos...

Após uns breves segundos...
-Mãe, e os cigarros?
-Também não sei!
-Como não sabes estas coisas?!
-Eu não sei tudo! (Defendo-me)

Após um brevíssimo silêncio...
-Mãe, e o telefone?
"Porra, esta eu sabia... Ele tem um nome parecido com telefone em inglês... mas como é que o raio do homem se chamava?"- penso.
- Hã, eu sabia o nome dele, mas já não me lembro.

Só consegui responder a uma questão em quatro, e mal, porque ele não a entendeu bem... Neste exame estaria chumbadíssima!

Chegamos a Lisboa para nos encontrarmos com uma amiga...
Em conversa, ela lembra-se de lhe perguntar se ele ainda faz aquelas perguntas todas que fazia quando era mais pequeno. Contamos-lhe as questões que ele acabara de me colocar no carro e ela diz que tem um livro muito fixe que responde a todas elas, que vai ver e depois diz-lhe.

Hoje, vi, numa mensagem que me enviou por Facebook, que ela conseguiu descobrir algumas respostas  para as dúvidas do J.. 

Amanhã, vou ler-lhas. Tenho a certeza que depois de lhe satisfazer uma parte (pequenina, pequenina) da curiosidade, ele virá com nova enchente de perguntas.

Ser mãe é ou não é tramado?

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Por entre livros e árvores

Estou sentada no sofá do supermercado junto aos livros.

Incrivelmente este supermercado tem um sofá para quem vê livros. Confesso que sou uma parasita das livrarias, daquelas que lêem muitos pedaços de literatura e raramente compram alguma coisa. Namoro livros durante meses, às vezes anos e só os compro quando já se criou uma certa intimidade entre mim e eles, ou entre mim e os seus autores.
Também compro por impulso, mas é mais raro agora que tenho menos dinheiro para consumismos.

Hoje, levo comigo para o sofá o Lobo Antunes e o Rodrigo Guedes de Carvalho. Vou lendo pedaços de um e de outro. Salto capítulos, reviro os livros e escolho páginas aleatórias na tentativa de entrar nas histórias e nas palavras. Mergulho em parágrafos que me marcam, afundo-me em frases que me fazem eco. Volto à superfície.

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