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Mensagens

Anita no Facebook

O Facebook anda a fazer-me mal. O chato é que preciso daquilo como ferramenta de trabalho e acaba por ser difícil desligar de vez ou até fazer um intervalinho com fins terapêuticos.
Ultimamente, ando tão farta de por ali andar que já tudo me parece os livros da Anita.
Antes do Verão: Anita corre quilómetros para caber no biquíni
Em férias:  Anita mete o pezinho na areia e o nariz no mar
Em dias de sol: Anita vai à esplanada com as amigas e diverte-se a potes
No fim das férias:  Anita volta para o trabalho chateadíssima, mas, pronto, a vida é assim e tem que trabalhar
À hora das refeições:  Anita cozinha um delicioso jantar cheio de super-alimentos e de baixas calorias ou  Anita vai almoçar a um sítio todo fashion, come imenso marisco e bebe sangria de champagne
Tarde de sábado:  Anita vai a uma exposição qualquer interessantíssima ou Anita sai à rua e vê as pessoas a passar
Sábado à noite:  Anita dança e bebe gin 
Tarde de domingo:  Anita vê um filme com a família ou Anita tem umas flores lindas…
Mensagens recentes

Da estupidez...

Primeiro entra aqui a minha estupidez: Pus-me a ler os comentários feitos às notícias que se espalham pelo Facebook. Burra, estúpida, nunca mais aprendes!

Depois entra a estupidez da própria notícia: Esta preciosidade que tem gralhas que não se admitem num jornal como o Público e que se baseia em ouvir dizer de ouvir dizer "a humorista e locutora de rádio argumentou em declarações ao jornal sueco Aftonbladet, citado pela BBC", o que mostra como os jornais têm de trabalhar rápido hoje em dia, porque as fontes de informação são, imagine-se, outros jornais, e também é baseada em tricas de Twitter. (Atenção que não culpo o Público por esta estupidez, de maneira nenhuma, culpo-nos a nós, leitores, que já não exigimos uma comunicação social como deve ser, porque preferimos a rapidez e a gratuitidade à qualidade! Sim, a culpa, e esta estupidez, é mesmo nossa!)

Em terceiro lugar vem a estupidez do que é noticiado: Um festival de Verão só para mulheres, livre de homens, para que estas…

Colecciono manhãs da minha janela

Quem vive de dia não sabe que o nascer do sol é muito mais belo do que o seu pôr.
Eu, que me deito de manhã e vivo de noite, vejo-o mal ele acorda.
Colecciono cada amanhecer, cada raio de luz que espreita ainda timidamente o horizonte. Roubo aquele momento para dentro de uma objectiva e vou sonhar com as manhãs que não presencio. Como se pudesse reviver aquilo que acabo por não chegar sequer a viver. Mas que levo para os meus sonhos e que fica comigo até ao acordar... já o sol está alto e sem beleza digna de retratos.
Perco todo o percurso até se fixar lá em cima a iluminar-nos, mas guardo o mais belo de todo o seu caminho, quando ainda espia e se decide se há-de ou não nascer e agraciar-nos com um novo dia.

Vejo-o sem que me veja, em tons laranja, da minha janela. Todos os dias.





O Pedro e os Pedros

A primeira morte que me devastou foi a morte de um colega de escola. Eu tinha uns seis ou sete anos. Lembro-me de a minha mãe me dar a notícia. "O Pedro morreu", ecoou-me na cabeça várias vezes.
O Pedro tinha a minha idade e tinha ido de barco pescar para o rio com o avô. Parece que o Pedro caiu do barco e que o avô foi atrás dele para o tentar salvar. Ficaram lá os dois. O Pedro tinha uma irmã mais nova, loirinha como ele, e uns pais de aspecto feliz. 
Lembro-me que me fartei de chorar pela morte do meu colega e por, pela primeira vez, ter tido consciência da mortalidade das crianças.
Hoje, passados trinta e tal anos, volto ao Pedro e à sua morte estúpida. Volto ao Pedro levada pelos Pedros que têm morrido no incêndio de Pedrógão Grande. Mas já não volto só ao Pedro, volto aos pais dos Pedros que, ou os viram morrer, ou que morreram com eles a tentar salvá-los. A imagem do avô afogado ao lado do neto transforma-se na imagem dos pais e dos filhos dentro dos carros com as cha…

In utero

No outro dia, o meu filho conheceu-se in utero. Mostrei-lhe a ecografia e o vídeo que se gravou naquela altura. Tinha cinco meses de gestação e nas imagens em tons dourados encontrou-se quando ainda um feto.
Antes do vídeo e da ecografia que lhe mostra o rosto, tentou encontrar-se nas ecografias a preto e branco e pouco perceptíveis, desde o feijão até à última que fiz, já quase um homenzinho e pronto a irromper por mim afora.
Teve pudor da nudez e sentiu um assalto à sua privacidade quando a imagem nos confirmou o seu sexo. Viu o próprio coração bater e ouviu-o, como se naquele momento se revisse num outro.

Pela primeira vez, teve a noção de que veio por engano, que se não tivesse uma mãe maluca que se julgava imune às gravidezes, não estaria aqui e não seria ele.
Percebeu que só o descobri já no segundo mês de gravidez e que foi um xixi numa espécie de caneta que mo revelou.

"E o que pensaste, mãe?", "o que sentiste?", quis saber.

Foi estranho contar-lhe a surpr…

A escola pode não ser um lugar escuro

Sei que digo aqui, muitas vezes, mal do ensino em Portugal. Há coisas que me revolvem as entranhas; que podiam melhorar muito; que não funcionam mesmo nada bem... Mas também há coisas boas a assinalar como a que aconteceu hoje de manhã com a turma do meu filho.

Esta manhã, a professora de Português levou a turma pelas ruas da cidade para fazer perguntas à população sobre como escrever correctamente em português. Os alunos levaram uma lista de frases. Cada frase tinha uma palavra escrita da forma correcta e da forma incorrecta e as pessoas tinham que escolher a que estava bem.
Os miúdos divertiram-se imenso, aprenderam e até ensinaram algumas dessas pessoas a escrever, e a falar, melhor.

Foi uma actividade simples, sem custos acrescidos e que talvez tenha sido muito mais produtiva do que uma aula com a turma fechada dentro da sala.

A única coisa que tenho a apontar é estes miúdos terem de aprender a escrever com o Acordo Ortográfico, que é uma perfeita aberração, mas nisso a professor…

Era só isto!

"Malak, uma menina síria de 7 anos, fugiu da guerra na Síria com sua família. Eles passaram por uma perigosa jornada pelo Mediterrâneo.
Nenhuma criança deveria passar por isso."

Era só isto!